Sejam Bem vindos!

"Confie no Senhor e faça o bem, assim habitará a terra e desfrutará segurança. Deleite-se no Senhor, e Ele atenderá os desejos de seu coração.Entregue seu caminho ao Senhor; confie nEle e Ele agirá."

Salmos 37:3-5


quarta-feira, 13 de março de 2013

Sobre Feridas e Curativos

Hoje vamos falar um pouco sobre feridas e curativos.
Algumas pessoas não sabem muito bem diferenciar uma ferida de outra, acham que tudo é igual e que merecem o mesmo tipo de medicamento para tratamento e qualquer tipo de curativo.
Devido ao grande número de dúvidas surgidas durante um curso que ministrei sobre "feridas e curativos" e também por perceber o tratamento que algumas pessoas que não são da área de saúde, davam as feridas de seus filhos, familiares e até mesmo às suas próprias feridas,decidi então postar sobre este assunto!
Então, para começar vamos conhecer a anatomia da pele.

A pele e o órgão mais extenso do corpo humano, indispensável para a vida.

Ela é composta de três camadas epiderme, derme e hipoderme ou tecido subcutâneo.
Suas funções são de proteção, sensação, equilíbrio da água, regulação da temperatura, produção de vitamina.

Conceito sobre ferida:
Lesão ou solução de continuidade dos tecidos provocada por um traumatismo externo direto. As feridas podem ser classificadas em: feridas incisas, geralmente de bordos lisos e provocadas por um instrumento cortante; feridas perfurantes, provocadas por instrumentos afilados e pontiagudos, são potencialmente muito perigosas por poderem atingir órgãos vitais; feridas laceradas, que se apresentam com os bordos muito irregulares e rasgadas; e feridas contusas, devidas a um traumatismo, mais ou menos violento, com maceração dos tecidos atingidos.
(do latim ferire «agredir, ferir»)
Classificação das feridas:
a) Ferida asséptica: não contaminada. Ex: Feridas operatórias
b) Ferida séptica: contaminada. Ex: Feridas laceradas 
Denominamos de:
·         Ferimento aberto: Solução de continuidade.
Ex: Incisão cirúrgica, laceração penetrante ou escoriação.
·         Ferimento fechado: Não dá solução de continuidade.
 Ex: Contusão ou equimose.
·         Ferimento acidental: Ferimento devido a um infortúnio.
·         Ferimento intencional: Causado por incisão cirúrgica (fins terapêuticos).

Inflamação:
É uma reação anormal do corpo a qualquer tipo de ferimento.
A resposta inflamatória ocorre em 3 fases:
·         Vascular;
·         Exsudativa;
·         Reparadora.
Fase Vascular: Caracteriza-se por hiperemia local, devido a vaso dilatação. Nesta fase chegam ao local plasma, anticorpos, células sanguíneas. Ocorre processo fagocítico onde os leucócitos englobam as substâncias estranhas e células danificadas.
Fase Exsudativa: Ocorre formação de exudato que são líquidos compostos por células sanguíneas, células de tecido danificado e corpos estranhos.
Pode ser seroso, purulento (infecção), hemorrágico (eritrócitos). O acúmulo de exudato nos espaços intersticiais causa edema e dor localizada.
Fase reparadora - Cicatrização do ferimento. Ocorre remoção das células teciduais lesadas pela regeneração de novas células e formação de tecido cicatricial.
Tipos de cicatrização:
·         Por primeira intenção: É a volta do tecido normal sem presença de infecção e as bordas do ferimento estão bem próximas. Pode ser usada sutura, materiais adesivos.
·         Por segunda intenção - Ocorre quando não acontece aproximação das superfícies com presença de infecção prolongada. O processo de cicatrização necessita de grande quantidade de tecido de granulação para fechar o ferimento.
·         Por terceira intenção - Ocorre quando é necessário fechamento secundário de uma ferida.
Às vezes a ferida é aberta e suturada mais tarde ou é aberta por deiscência.
Fatores que afetam a Cicatrização Normal:
·         A idade, a nutrição, condições de vascularização, edema, inflamação local, hormônios, infecção e a extensão da lesão podem afetar a cicatrização normal. Na cicatrização é comum encontrarmos hemorragias e infecção. Para auxiliar um paciente portador de uma ferida, o enfermeiro deve estar a par da causa, do tipo de ferida e quando esta ocorreu, assim como conhecer a natureza básica dos problemas de saúde e do plano geral de assistência médica do paciente.
Complicações da cicatrização de lesões:
  •  Hemorragia;
  •  Infecção;
  •  Deiscência;
  •  Evisceração;
  •  Fístula.
Tratamento das feridas:
O tratamento de feridas deve ser individualizado para cada paciente, levando-se em conta a etiologia da ferida, a evolução do quadro até então, a existência de comorbidades no paciente, a ocorrência de fatores que impliquem alterações no prognóstico, as características físicas da ferida, a disponibilidade de recursos para tratamento da ferida, a contra-indicação (por alergia ou intolerância) de algum elemento empregável no tratamento da ferida e a própria possibilidade de o paciente viabilizar os tratamentos sugeridos ou propostos pelos profissionais de saúde que o tenham avaliado. Atualmente, a medicina conta com inúmeros tratamentos possíveis para diversos tipos de feridas em suas mais diversas evoluções possíveis. Dentre eles, podem-se citar:
·         Curativos simples: empregáveis na maioria das feridas, têm seu efeito prático baseado na própria capacidade regenerativa do corpo humano (ou seja, a cicatrização espontânea) e sua eficácia aumentada por conceitos introduzidos por estudos médicos e biológicos (como o da higiene local, que aumenta a chance de não contaminação com subseqüente evolução desfavorável;
·         Curativos especiais: diversos grupos de substâncias e aparatos são empregáveis no tratamento de diversos tipos diferentes de feridas. Em geral, para feridas complexas ou de difícil cicatrização, modalidades de cuidados especialmente desenhadas por profissionais especializados (médicos, enfermeiros especializados em estomatologia e feridas) tendem a ser empregadas com grande índice de sucesso no tratamento de tais feridas;
·         Oxigenoterapia hiperbárica técnica que consiste em fornecer Oxigênio puro em ambiente pressurizado e que aumenta muito expressivamente a velocidade de regeneração de tecidos em feridas e a atividade de defesa do organismo contra infecções agudas e graves. Paralelamente também exibe elevadíssimo nível de sucesso em tratamentos de vasculites de etiologias diversas, infecções indolentes, doenças inflamatórias intestinais, grandes queimaduras, geladuras, amputações com reimplantes, síndromes vasculares complexas, esmagamentos, dentre outros usos. Empregável em feridas complexas com taxa de sucesso muito maior que outras terapêuticas freqüentemente empregadas. Razoavelmente inerte e segura, tem se tornado a melhor opção de tratamento para feridas em geral.
Para que serve um curativo?
É um meio terapêutico que consiste na limpeza e aplicação de cobertura estéril em uma ferida com a finalidade de promover a rápida cicatrização e prevenir a contaminação de tecidos internos por micro-organismos da pele e meio ambiente.
Finalidades:
  • Facilitar a cicatrização;
  • Evitar ou reduzir a infecção;
  • Remover secreções;
  • Proteger contra traumatismos.
Tipos de curativos:
Varia de acordo com a natureza, a localização e o tamanho da ferida.

  • Abertos: em fendas sem infecção, que após tratamento permanecem abertos (sem proteção de gaze).
  • Oclusivos: veda a ferida criando ambiente úmido e favorável, promove isolamento térmico e das terminações nervosas e impede a formação de crostas Barreira contra bactérias.
  • Compressivo: usado para promover hemostasia e auxiliar na aproximação das bordas do ferimento.
  • Com irrigação: ferimentos com infecção ou fistula, com indicação de irrigação com soluções salinas ou antissépticas. Irrigação feita com seringa.
  • Com drenagem: ferimento com grande quantidade de exudato Coloca-se dreno,tubos, cateteres ou bolsas de colostomia.
Técnicas de realização de curativos:
De acordo com o tipo de ferida: limpa, cirúrgica limpa, cirúrgica contamina úlceras e escaras com secreções e/ou tecido necrosado.

A escara de decúbito é uma inflamação, fenda ou ulcera na pele sobre uma proeminência óssea. É uma complicação para pacientes debilitados e imobiliza e, uma vez que a pele perde sua integridade, o paciente esta sob o risco de infecção.
Causas predisponentes:
Anemia, avitaminose, desidratação, diabete, edema generalizado, febre prolongada, má circulação, obesidade, caquexia, paralisias, pouca vitalidade, incontinência de fezes e urina.
Causas imediatas:
Pressão, fricção, umidade, falta de asseio, aplicação imprópria de aparelhos. de calor e frio.


Regiões mais propiciais:

  • Escápula,
  • joelhos, 
  • ilíaca, 
  • maléolos, 
  • calcâneos, 
  • orelhas, 
  • parte posterior da cabeça, 
  • artelhos, 
  • axilas, 
  • seios, 
  • qualquer superfície que esteja sofrendo pressão constante.

Estágios das escaras de decúbito:
1. Rubor da pele, que desaparece quando a pressão é aliviada.
2. Lesão à circulação e tecidos superficiais; rubor e edema não desaparecem;
endurecimento do tecido superficial;
3. Destruição das camadas subcutâneas; células necróticas; destruição de tecido capilar subjacente;
4. Destruição avançada de capilares subcutâneos e massa muscular; caso seja muito profunda, exposição do osso subjacente.

Como prevenir uma ferida?
• Avaliar os fatores de risco do paciente, temperatura ambiente alta, umidade, roupa de cama mal alinhada;
• Mudança de decúbito a cada uma ou duas horas;
• Manter o lençol no leito esticado;
. Manter a pele do paciente seca;
• Reposicionar o paciente adequadamente;
• Usar artifícios mecânicos adequados para reduzir a pressão.
Assistência de enfermagem:
• Antes de fazer o curativo, observar o estado do paciente, ler as anotações sobre o tipo de curativo, sua evolução e cuidados específicos.
• Nas feridas cirúrgicas, a pele ao redor da ferida é considerada mais contaminada que a própria ferida, enquanto que nas feridas contaminadas a área mais contaminada é a de interior da lesão (importante lembrar ao limpar ou tratar a lesão);
• Quando o paciente necessitar de vários curativos, iniciar pela incisão fechada e limpa, seguindo-se as lesões abertas não infectadas e por último as infectadas;
• Ao dar banho em pacientes com curativo, aproveitar para lavar a lesão;
• Devido ao risco de infecção hospitalar, não é recomendado levar o material de curativo no carrinho. Deve-se levar só a bandeja com o material, para junto do paciente;
• Não jogar o curativo anterior e as gazes utilizadas na cesta de lixo do paciente;
• Não comprimir demais com ataduras e esparadrapo o local da fenda, a fim de não prejudicar a circulação;
• O saco plástico que recebe gazes usadas no curativo deve ser de uso individual;
• Os curativos devem ser trocados diariamente e sempre que se apresentarem úmidos ou sujos;
• nas feridas com exudato ou com suspeita de infecção deve ser colhida amostra e encaminhada imediatamente ao laboratório.

Qual o curativo ideal?
Aquele que Mantém alta umidade
- Nada de curativo secos em fendas abertas. Não há necessidade de secar tendas abertas, somente a pele ao redor dela.
Sempre remover o excesso de exudação.
- O curativo deve ter um pouco de absorção;
- Pode ser necessário fornecer um segundo chumaço.
Permite a troca de gazes
Manter isolador térmico.
- As fendas não devem ser limpas com loções frias;
- Os curativos não devem permanecer removidos por longos períodos de tempo  (isso também permite que a ferida seque).
Deve ser impermeável as bactérias
Deve ser Isento de partículas e tóxicos contaminadores de feridas.
- Não se deve usar lã de algodão ou qualquer gaze desfiada;
- Os chumaços absorventes não devem ser cortados para não desfiar.
Deve ser retirado sem trauma.
- Nada de curativo secos em feridas abertas;
- E preferível irrigá-las e esfregá-las.
Produtos modernos de tratamento de feridas:
• Alginatos:- Contém alginato de Ca (cálcio), derivado de algas marinhas;
- Interativo: sua estrutura se altera a medida que ele vai reagindo com a ferida; ao absorver a exudação para feridas, muda de estrutura fibrosa para gel;
- Adequados para feridas com exudação moderada ou grande.
• Antibacterianos (Antibióticos):
a) Flamazine®:
- Creme que contém sulfadiazina de prata;
- Eficaz contra Pseudomonas e S. aureus;
- Amplamente utilizado em queimaduras.
b) Metrotop®:
- Contém metronidazona,
- Reduz o odor das bactérias anaeróbias;
- Utilizado em tumores com fungos.
• Curativos de carvão.
- Feitos de carvão ativo, eficaz na absorção dos elementos químicos liberados das feridas com mau odor (infectadas, necróticas ou fuliginosas);
- Pode precisar de um curativo secundário
- Deve ser trocado a cada 7 dias.
• Hidrocolóides:

- Curativos interativos compostos cie uma base hidrocolóide feita de celulose,
gelatinas e pectinas e de um revestimento de filme ou espuma de poliuretano;
- A medida que o curativo vai absorvendo o exudato, vai se transformando em gel depois num líquido amarelo, com um odor diferenciado;
- Não é necessário curativo secundário,
Usado em feridas com pouca exudação.
• Hidiogels:
- Curativos de goma de co-polimero e contém grande quantidade de água,
- Eficazes em feridas granuladas com baixa ou moderada exudação;
- Requer curativo secundário.
Pasta de açúcar
- Açúcar sem aditivos, na forma de mel;
- Utilizado nas feridas com grande exudação, sujas ou com mau odor;
- Requer curativo secundário;
- Deve ser trocado a cada duas horas.
Filmes permeáveis ao vapor:
- Oferecem ambiente de cicatrização úmido, sem absorção;
- Não usar em feridas infectadas
O que são Fendas?
São o resultado visível de lesão ou morte das células dos tecidos,podendo envolver total ou parcialmente a espessura da pele.






Espero te-los ajudado!
Um abraço e até a próxima!


quinta-feira, 7 de março de 2013

Preparo,diluição e administração de medicamentos - Normas sobre o uso de seringas.



Uma das principais funções da equipe de enfermagem no cuidado aos pacientes é a administração de medicamentos, a qual exige dos profissionais:
·         Responsabilidade, conhecimentos e habilidades, fatores estes que garantem a segurança do paciente.
O sistema de medicação nos hospitais incorpora as etapas da prescrição médica, distribuição, dispensação, transcrição da prescrição e administração propriamente dita. Para tanto, vários profissionais estão envolvidos, o que o constitui como multidisciplinar e multissistêmico.

Erros na medicação podem ocorrer em qualquer momento, já que há um sistema com várias etapas sequenciais  dependentes umas das outras e executadas por uma equipe multidisciplinar, como já mencionado.

Por constituir-se de várias etapas e envolver vários profissionais, o risco de ocorrência de erro é elevado.

Os enfermeiros e suas equipes estão na linha final desse sistema, podendo ser responsabilizados por erros em quaisquer etapas. Duas abordagens explicam a causa dos erros: a abordagem centrada na pessoa e na situação.
Na abordagem centrada na pessoa, o erro ocorre como resultado direto da falta de cuidado, negligência ou esquecimento. Como conseqüências responsabilizam-se o indivíduo e impõe-se alguma ação disciplinar ou restringem-se suas ações. Desta forma, essa abordagem enfatiza a punição como o principal elemento para qualquer ação corretiva. Já a abordagem centrada no sistema enfatiza a condição humana e antecipa que erros ocorram. Focaliza a identificação de fatores predisponentes no ambiente de trabalho ou no sistema.

A abordagem punitiva não se mostra efetiva à medida que, responsabilizando o indivíduo, nada é feito em relação ao “sistema”, que continua com o mesmo problema e não se elimina o erro humano.
Assim, o erro pode ocorrer a partir de um conjunto de comportamentos humanos não evitáveis, independentemente da capacidade ou experiência que os indivíduos possuem. Na grande maioria dos casos, o erro não é sinal de não-profissionalismo, mas sim conseqüência do fato de que é inevitavelmente  humano e que muitas instituições possuem sistemas altamente condutivos a ele.

Há uma positiva correlação entre erros de medicação e a piora do quadro do paciente, já que ocorrem em decorrência disto úlceras de pressão, infecções, queixas, aumento da estadia no hospital e óbitos.

No Brasil, a equipe de enfermagem é constituída por auxiliares e técnicos de enfermagem, além de enfermeiros, sendo os primeiros responsáveis, na maioria das instituições, pelo preparo e administração de medicamentos. Estudos informam a insuficiência de conhecimento acerca da farmacologia entre tais profissionais. Além disso, acrescentam-se problemas como: a falta de um farmacêutico clínico, de literatura disponível e atualizada sobre medicamentos, despreparo da equipe de enfermagem, insuficiente qualificação profissional, inobservância de procedimentos técnicos, escassez de recursos materiais e inexistência de protocolos na assistência de enfermagem, dentre outros aspectos.
Uma das causas da ocorrência de erros na administração de medicamentos é o conhecimento insuficiente acerca das indicações do medicamento, mostrando mais uma vez a insegurança e dificuldades enfrentadas por auxiliares e técnicos de enfermagem em administração de medicamentos, bem como suas conseqüências, confirmando a necessidade de estratégias educativas na melhoria da qualidade nesta ação.
Dessa forma, falhas no sistema influenciam o trabalho da equipe e podem determinar que erros sejam cometidos. 
Ao ser admitido em um hospital, o paciente se entrega por inteiro nas mãos daqueles, em quem deposita confiança para a resolução do seu problema de saúde (profissionais e instituição) e espera que estes sejam resolvidos, sem que nenhum agravo adicional, decorrente da sua estadia na instituição ocorra. Os pacientes acreditam que quando entram no sistema de saúde, estão seguros e protegidos de injúrias.
Somada às expectativas dos pacientes estão as da família, amigos e porque não dizer sociedade, quanto ao papel resolutivo do hospital e de seus profissionais. Os profissionais, por sua vez, também possuem expectativas e desejam fornecer o melhor tratamento ao paciente, devolvendo-o ao seio familiar, com sua saúde restabelecida. Todas essas expectativas geradas poderão ser frustradas caso ocorram eventos adversos durante o internamento do paciente. Infelizmente, eventos adversos no meio hospitalar é mais freqüente do que se imagina e se deseja, porém, parte deles felizmente pode-se prevenir.


Os eventos adversos relacionados à medicamentos são a principal causa de doenças iatrogênicas e podem ser resultantes de causas inevitáveis e não evitáveis relacionadas à medicamentos. As causas evitáveis incluem aquelas resultantes do uso inapropriado de medicamentos e sua redução requer uma melhor compreensão das causas e fatores de risco associados ao erro na provisão do cuidado ao paciente e as causas inevitáveis estão relacionadas às condições intrínsecas do paciente.
Exemplificando: caso um paciente que foi submetido a uma cirurgia venha a morrer em conseqüência de uma pneumonia adquirida no pós-operatório, pode-se considerar que ocorreu um evento adverso. Se a análise do caso revelar que o paciente adquiriu pneumonia em função da má qualidade da lavagem das mãos dos técnicos ou em função da precária limpeza dos instrumentos cirúrgicos, o evento adverso é prevenível e atribuído a um erro de execução. Porém, se a análise concluir que nenhum erro ocorreu e que o paciente presumivelmente passou por uma cirurgia de recuperação difícil, este é um evento adverso cujas causas são inevitáveis.
No Brasil, as pesquisas sobre eventos adversos, neles incluídos os erros de prescrição, dispensação e administração, tem avançado bastante.
Uma dessas pesquisas investigou os problemas de comunicação como possível causa de erros de medicação, tendo encontrado na análise de 294 prescrições, que 34,7% eram ilegíveis ou parcialmente ilegíveis, 94,9%  incompletas e 95,9% continham abreviaturas o que aumentava a dificuldade de comunicação. Essas prescrições eram realizadas sob interrupções e 27 distrações, corroborando para a redução da segurança do paciente. Estudo de monitoramento intensivo do uso de antimicrobianos realizado em hospital do Paraná (87 pacientes adultos) identificou a ocorrência de 91 eventos adversos, sendo 3,3% Reação Adversa a 828 Medicamentos e 7,7% erros de medicação. Já em um hospital universitário em Ribeirão Preto, foram analisadas 925 prescrições, sendo identificado que 12,1% delas apresentavam rasuras e 28,2% apresentavam informações que 29 deixavam dúvidas nos profissionais.
Superar as falhas e problemas requer o reconhecimento de que toda atividade de assistência à saúde possui pontos frágeis que podem comprometer a segurança do paciente e que a chave para reduzir o risco é criar um ambiente que elimine a cultura da culpa e punição e os substitua por uma cultura de vigilância e cooperação, expondo dessa forma os pontos fracos que podem concorrer para causar o erro.
Exemplo de uma prescrição médica...Dá para entender alguma coisa aí??
A adoção de práticas profissionais baseadas em protocolos e evidências clínicas, a boa qualidade da comunicação entre os profissionais que prestam assistência ao paciente, a abertura para se aprender a partir das falhas ocorridas e a compreensão de que devemos tornar a assistência hospitalar brasileira mais segura, nos torna atuante no processo que conduz à maior segurança do paciente.

Dicas gerais para diluição e administração de medicamentos

Equivalências:

  • 1 ml = 20 gotas = 60 micro gotas
  • 1 micro gota/minuto = 1 ml/hora
  • 1 mg = 1000 mcg = 1000 µg


Recomendações Gerais:

  • Conservação:
    Siga rigorosamente as informações do fabricante quanto às condições de armazenamento (temperatura, luminosidade, etc.);
    A temperatura ideal de armazenamento de medicamento em geladeira é de 2 a 8 °C;
    A geladeira onde os medicamentos são armazenados deverá ser exclusiva para essa finalidade;
    O mesmo princípio ativo, quando produzido por diferentes fabricantes poderá apresentar condições diferentes de armazenagem.

    Preparo e administração dos medicamentos:
    -A lavagem das mãos deve preceder todos os procedimentos envolvidos no preparo de medicamentos;
    Medicamentos incompatíveis não devem ser misturados entre si ou em solução, devendo também ser evitada a administração simultânea no mesmo horário ou via;
    Quando for necessária a administração simultânea de dois medicamentos injetáveis verifique se eles são compatíveis. Caso não sejam, prepare cada um separadamente; entre a administração do primeiro medicamento e do segundo, administre 10 a 20 ml de água destilada e somente em seguida administre o outro medicamento;
     - Se o medicamento contiver um princípio vasoativo administrado de forma contínua, não interrompa. Verifique a possibilidade de escolher outra via de acesso para a administração do medicamento. Na impossibilidade de outra via, evite infusões simultâneas prolongadas;
    Não é recomendável a administração simultânea de qualquer medicamento com hemoderivados e hemo-componentes;
    Antes de administrar qualquer medicamento, assegure-se de que ele está na temperatura ambiente, evitando dessa forma a ocorrência de hipotermia;
Durante a reconstituição, diluição e administração dos medicamentos, observe qualquer mudança de coloração e formação de precipitado ou cristais. Caso ocorra um desses eventos, interrompa o processo, procure a orientação com o (a) enfermeiro(a).
Muita atenção!
  • Quando o medicamento for administrado pela via IM não realize a mistura de medicamentos na mesma seringa;
  • Somente os comprimidos apresentando sulcos poderão ser partidos.Essa marca no comprimido sulcado nos indica onde podemos parti-lo. Portanto, se temos 1 sulco, só podemos partir o comprimido em 2 e se temos 2, poderemos partir o comprimido em 4;
  • Os medicamentos de liberação prolongada não deverão ser triturados, quebrados ou divididos; Em caso de dúvida,pergunte ao seu enfermeiro.
  • Todos os produtos fotossensíveis deverão ser protegidos da luz durante a sua infusão, para tanto, utilize o equipo fotossensível apropriado;
  • Não utilize agulhas como respiros em tubos de soro ou frascos de soluções, pois esta prática leva á contaminação da solução;
    Reconstitua e dilua os medicamentos, de preferência, imediatamente antes do uso;
    Verifique a estabilidade pós-reconstituição/diluição junto ao fabricante do produto que você está utilizando;
    Caso necessite armazenar o medicamento após reconstituição e/ou diluição utilize etiqueta de identificação com no mínimo as seguintes informações:
    A etiqueta deverá estar legível. Utilize preferencialmente letras maiúsculas para o preenchimento;
    Nome do medicamento;
    Responsável pela manipulação;
    nome e número do registro profissional
    Data;
    Hora;
    Diluente.




    Sugestões de rotina para a administração de medicamentos injetáveis:

    1. Antes de iniciar o preparo do medicamento leia atentamente a prescrição médica e confira os dados do rótulo do fármaco com os da prescrição. 

    2. Verifique na prescrição o tipo de diluente recomendado e a via de administração;

    3. Confira, no protocolo, se o diluente sugerido é adequado ao produto ou ligue para a Farmácia;

    4. Selecione previamente todo o material necessário para realizar a diluição do medicamento, evitando que tenha que interromper o procedimento de diluição;

    5. Lave as mãos com água e sabão e seque-as com papel-toalha, seguindo a técnica recomendada;

    6. Dilua um medicamento de cada vez;

    7. Jamais coloque sobre a bancada de diluição mais de um produto, evitando dessa forma que ocorram erros e troca de medicamentos;
    8. Após a diluição, alguns medicamentos podem ser guardados para serem utilizados posteriormente. Nestes casos, identifique corretamente o frasco do medicamento e acondicione-o conforme a indicação do protocolo. 

    9. Jamais administre um medicamento previamente diluído sem certificar-se de que este ainda está dentro do período de validade e que contém todas as informações sobre sua diluição escritas na etiqueta de identificação;

    10.Administrem somente medicamento que esteja prescrito pelo médico assistente. Quando você descumpre esta regra, está se responsabilizando integralmente por qualquer dano, decorrente deste ato que, por ventura, venha a ocorrer com o paciente;

    11. ATENÇÃO: Nem todo medicamento pode ser diluído com soro fisiológico e nem todo medicamento pode ser guardado na geladeira. Siga as orientações dos fabricantes.
    Regiões do corpo e ângulos para administração de injetáveis:





    Técnica de Lavagem das mãos

    As mãos deverão ser sempre lavadas antes e após a realização dos procedimentos. Sugiro a adoção da seguinte técnica:
    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária modificou as exigências para fabricantes e importadores de agulhas, seringas e equipos – materiais utilizados em procedimentos médicos e hospitalares. Em 360 dias, o registro destes produtos passa a ser obrigatório no Brasil. A medida foi publicada no Diário Oficial da União na última segunda feira (7/2/2011).
    Baseadas em normas técnicas nacionais e internacionais, as resoluções RDC 3/2011, RDC 4/2011 e RDC 5/2011 estabelecem os requisitos mínimos de identidade e de qualidade para as agulhas, seringas e equipos.  Antes, esses produtos eram apenas cadastrados na Anvisa.
    Fabricantes e importadores devem observar as novas exigências estabelecidas pela Agência. Entre os requisitos para obtenção do registro desses materiais, está a obrigatoriedade de apresentação do Certificado de Boas Práticas de Fabricação (BPF), emitido pela Agência, e da Certificação de Conformidade do INMETRO.
    As seringas e agulhas hipodérmicas estéreis de uso único são classificadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA como produtos médicos, devendo assim obedecer à regulamentação aplicável daquele órgão regulamentador. São vulgarmente chamadas de descartáveis, porém a expressão “de uso único” é a recomendada pela ANVISA, para enfatizar que a reutilização desse tipo de produto é proibida. Esses produtos têm uso amplamente disseminado nos diversos hospitais, postos de saúde e clínicas, normalmente servindo para injetar medicamentos em pacientes. Por serem usados no corpo humano de forma invasiva (penetra em um ou mais tecidos do corpo), pode apresentar riscos associados ao uso, devendo ser garantida sua esterilidade antes e durante o uso, bem como outras características definidas na regulamentação aplicável e nas normas técnicas pertinentes.

    As seringas e agulhas em questão são materiais de consumo para a área de saúde, sendo adquiridos em grandes quantidades – muitas vezes através de licitações públicas. Diante da acirrada disputa dos diferentes fabricantes, sejam eles nacionais ou importados, e do grande número de notificações à ANVISA (por meio da Unidade de Tecno vigilância criado por aquele órgão regulamentador) sobre diversos problemas apresentados por esses produtos, justifica-se a presente análise quanto à qualidade dos mesmos no que diz respeito ao risco de danos tanto para o paciente como para o técnico de saúde que os manipula.
    Os riscos associados ao uso de seringas e agulhas que não atendam à regulamentação ou aos parâmetros definidos nas normas técnicas são os mais diversos, dependendo do tipo de não conformidade presente.

    Curtam,compartilhem e divulguem!
    Um abraço e até a próxima!